A Coreia do Norte lançou mais de dez mísseis balísticos de curto alcance em direção ao Mar do Leste nesta quinta-feira, 20 de agosto, segundo as Forças Armadas da Coreia do Sul. O lançamento acontece em meio ao aumento das tensões na Península Coreana, dias após Estados Unidos e Coreia do Sul reduzirem seus exercícios militares conjuntos.
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Pyongyang rejeitou a medida como uma tentativa de diminuir as hostilidades. O novo lançamento ocorre em um momento de intensificação das discussões sobre a segurança da região. Além dos exercícios militares, autoridades sul-coreanas divulgaram uma nova estimativa sobre o arsenal nuclear norte-coreano, enquanto a China criticou a política dos Estados Unidos em relação a Pyongyang.

Coreia do Norte rejeita redução de exercícios militares
O lançamento dos mísseis aconteceu durante a realização do exercício militar Ulchi Freedom Shield, conduzido por Estados Unidos e Coreia do Sul. Inicialmente planejado para 11 dias, o treinamento foi reduzido para cinco dias após o presidente norte-americano Donald Trump determinar uma diminuição significativa da participação dos Estados Unidos.
A mudança tinha como objetivo reduzir as tensões na região e ocorre enquanto Trump busca retomar o diálogo com o líder norte-coreano Kim Jong-un. Apesar da redução dos exercícios, a irmã do líder norte-coreano, Kim Yo-jong, afirmou que Pyongyang não tem interesse na decisão de Washington e que a alteração não muda a natureza do que considera uma política hostil contra o país.
Horas depois das declarações, a Coreia do Norte realizou o novo lançamento. De acordo com autoridades sul-coreanas, os projéteis foram disparados da região de Pyongyang e caíram no mar. O governo da Coreia do Sul condenou a ação e determinou que suas Forças Armadas mantenham o nível de prontidão durante os exercícios.
China critica política dos Estados Unidos
A tensão também envolve a relação entre Washington, Seul e Pequim. Durante uma visita à Coreia do Sul nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou que os Estados Unidos deveriam abandonar o que classificou como uma política hostil contra a Coreia do Norte.
Segundo o governo chinês, a política norte-americana seria uma das principais causas da instabilidade na Península Coreana. Wang também pediu que a Coreia do Sul evite tomar partido na disputa entre China e Estados Unidos e defendeu a retomada do diálogo para diminuir as tensões na região.
A declaração ocorre enquanto Washington tenta reabrir canais de comunicação com Pyongyang. Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte mantém uma postura de desconfiança em relação aos Estados Unidos, mesmo diante da decisão de Trump de reduzir os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.
Coreia do Norte teria até 120 armas nucleares
Outro fator que aumenta a preocupação sobre a segurança regional é o tamanho estimado do arsenal nuclear norte-coreano. O ministro da Defesa da Coreia do Sul, Ahn Gyu-back, afirmou nesta quinta-feira que Pyongyang é estimado como possuidor de entre 80 e 120 armas nucleares.
A estimativa é superior ao número de 57 armas nucleares mencionado recentemente por Trump. A diferença evidencia a dificuldade em determinar com precisão o tamanho do arsenal norte-coreano, que é mantido sob sigilo pelo governo de Kim Jong-un.
O lançamento desta quinta-feira, portanto, ocorre em um cenário que combina testes de armamentos, exercícios militares, disputas diplomáticas e preocupações sobre a capacidade nuclear de Pyongyang.
Enquanto Estados Unidos e Coreia do Sul tentam equilibrar medidas de segurança e esforços diplomáticos, a Coreia do Norte continua demonstrando que pretende manter sua capacidade militar como uma das principais ferramentas de pressão na região.
Foto Destaque: Míssil da Coreia do Norte disparado em 2025.
Divulgação/ KCNA