“A Dama de Gangnam”, thriller psicológico da escritora sul-coreana Lee Hong, é um dos títulos que marcam o crescente espaço da literatura da Coreia do Sul no Brasil. Enquanto a Hallyu já conquistou o público brasileiro por meio da música, das séries e do cinema, esse interesse também vem chegando às livrarias: nos últimos cinco anos, a presença de obras da literatura sul-coreana cresceu 300% no país, de acordo com dados do Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB).
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Publicado no Brasil pela VR Editora, o livro utiliza Gangnam, um dos bairros mais conhecidos de Seul, como cenário para uma história marcada por perseguição, ambição, conflitos familiares e pressões sociais. A trama acompanha uma apresentadora de televisão aparentemente bem-sucedida cuja vida começa a mudar após receber ameaças de um stalker misterioso.

“A Dama de Gangnam” explora os segredos por trás de uma vida aparentemente perfeita
Para quem acompanha de fora, a vida de Oh Miná parece perfeita. Aos 40 anos, ela é uma apresentadora de televisão conhecida na Coreia do Sul, autora de um livro de ensaios que se tornou best-seller e moradora de Gangnam, bairro de Seul associado à riqueza, ao consumo e à ascensão social. Bonita, bem-sucedida e cercada por sinais de prestígio, Miná parece representar exatamente aquilo que a sociedade espera de uma mulher que venceu em todos os aspectos. Tudo começa a mudar, porém, quando ela passa a receber ameaças de um stalker misterioso.
Na obra, acompanhamos quatro momentos diferentes da vida de Oh Miná, apresentados em ordem cronológica inversa. A cada nova fase, o leitor regressa alguns anos no passado e descobre novas camadas de uma mulher que, quanto mais conhecemos, mais difícil se torna decifrar. O clima de tensão aumenta à medida que a perseguição se torna mais ameaçadora: o desaparecimento de seu animal de estimação, cartas anônimas, vandalismo e até um ataque físico fazem Oh Miná desconfiar cada vez mais das pessoas ao seu redor.
Conforme a história recua no tempo, a pergunta deixa de ser apenas “quem está perseguindo a protagonista?” e passa a envolver quem ela realmente é. Seus relacionamentos, conflitos familiares, a maternidade, o luto e os vínculos construídos ao longo da vida revelam uma personagem cada vez mais complexa e moralmente ambígua.
“Miná nunca fora gentil e simpática quando criança. Desde pequena, sabia muito bem expressar sua raiva quando as coisas não saíam como ela queria. No entanto, diferente das outras crianças, não fazia isso chorando ou resmungando. O método de Miná era bem mais silencioso e assustador.”
— A Dama de Gangnam, p. 155.
Gangnam se transforma em cenário para discutir as pressões sobre as mulheres
Lee Hong, autora do livro, nasceu em Gangnam, justamente onde a história é ambientada. Conhecido pela concentração de riqueza, consumo e prestígio, o distrito se torna mais do que um simples cenário e serve como ponto de partida para uma narrativa sobre as pressões sociais enfrentadas pelas mulheres.
A obra aborda questões como a construção da imagem pública, as expectativas em torno da maternidade e do casamento e a busca por ascensão em uma sociedade marcada pela competição. Ao apresentar diferentes fases da vida de Oh Miná, Lee Hong também utiliza a trajetória da protagonista para retratar as transformações sociais ocorridas entre o final dos anos 1980 e a década de 2010.
Conheça Lee Hong, autora de “A Dama de Gangnam”
Nascida em Gangnam, Lee Hong ganhou destaque no cenário literário sul-coreano ao receber o Prêmio Escritor do Ano por seu romance Girlfriends (2007), posteriormente adaptado para o cinema. Suas obras exploram desejos, tensões e contradições da sociedade coreana contemporânea, consolidando a autora como uma das representantes do que críticos passaram a chamar de “romance de Gangnam”.
Lee Hong também foi finalista do Korea Times Literary Award e recebeu o prêmio Novos Talentos da Arte, na categoria Literatura, concedido pelo Conselho de Artes da Coreia. Paralelamente à carreira como escritora, dirige uma agência literária dedicada à internacionalização da literatura feminina coreana e desenvolve projetos editoriais e culturais entre a Coreia e a Europa. Atualmente, vive em Paris, onde escreve seu próximo romance.
A edição brasileira de “A Dama de Gangnam” foi publicada pela VR Editora, conta com 268 páginas, tradução direta do coreano por Bruna Giglio e classificação indicativa de 18 anos. A capa da edição nacional é assinada pela quadrinista e ilustradora coreano-brasileira Ing Lee, que combina referências aos quadrinhos, à estética pop e à cultura urbana asiática. O livro está disponível na Amazon, na VR Commerce e nas principais livrarias do país.
Foto Destaque: Capa do livro “A Dama de Gangnam”. Divulgação/VR Editora.