O Stray Kids se apresentou no Rock in Rio na última sexta-feira (11), fazendo sua estreia no Palco Mundo do festival. Um ano após desembarcar no Brasil com a dominATE World Tour, que reuniu 175 mil fãs durante as apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo, o grupo retornou ao país deixando, mais uma vez, um gostinho de quero mais.
Desde o anúncio do Stray Kids como uma das principais atrações do festival, algumas perguntas ficaram no ar: “o que eles levariam para o evento? Conseguiriam entregar uma apresentação à altura de um palco como o Rock in Rio?” A resposta começou a ser dada às 00h05, quando Bang Chan, Changbin, I.N, Seungmin, Hyunjin, Felix e Lee Know subiram ao palco para encerrar a noite em que o K-Pop ficou em evidência no festival, após as apresentações de NEXZ e Hwasa.
Entre banda ao vivo, versões especiais, coreografias, rap, rock e música eletrônica, o grupo transformou o Palco Mundo em uma extensão de suas próprias turnês.

Stray Kids agita público de mais de 100 mil pessoas com setlist explosiva e banda ao vivo
O grupo subiu ao palco às 00h05, na madrugada de sexta-feira para sábado, trazendo uma setlist que conversou perfeitamente com a atmosfera do festival. A abertura ficou por conta de “TOPLINE”, seguida por “S-Class” e “Bounce Back”, faixa lançada em 2024 no álbum “HOP” e introduzida às apresentações do grupo apenas esse ano.
Na sequência, vieram hits como “MANIAC”, “DOMINO” e “Thunderous”, e após esta última, os integrantes deixaram o palco para uma troca de figurino, mas a energia não diminuiu. A banda ao vivo assumiu os holofotes com solos de guitarra e baixo e elementos de “Back Door”, levando o público à loucura e mostrando um dos diferenciais das apresentações do Stray Kids.
O grupo retornou ao palco vestindo hanboks e incorporando elementos da cultura sul-coreana à apresentação de “DIVINE”. Na sequência, vieram o hit “God’s Menu”, cantado em alto volume pelos STAYs, e “Walkin on Water”.
Durante um dos momentos de interação, o líder Bang Chan não escondeu seu carinho pelos fãs brasileiros, elogiou a energia do público e revelou que o grupo ainda tinha muitas surpresas preparadas para aquela noite.
A homenagem ao Brasil continuou quando Bang Chan pediu que a banda introduzisse “Chk Chk Boom” em ritmo de samba, arrancando reações dos integrantes e da multidão. A essa altura, a sequência do show já era suficiente para transformar a pergunta “O Stray Kids se encaixaria como headliner do Rock in Rio?” em outra: por que o Stray Kids não havia se apresentado antes no festival?
Stray Kids mistura rock e eletrônica e mostra por que funciona em grandes festivais
Uma discussão recorrente em torno do Rock in Rio envolve aqueles que ainda defendem uma visão limitada sobre quais gêneros deveriam ocupar o festival. O Stray Kids, no entanto, mostrou justamente como as fronteiras musicais podem ser atravessadas dentro do Palco Mundo.
Em “LALALALA”, o grupo apostou na versão rock da faixa, uma escolha que se encaixou perfeitamente na proposta do festival e chamou a atenção até mesmo de quem não acompanhava o grupo anteriormente. “Social Path” veio em seguida, destacando a presença das guitarras e ampliando ainda mais essa atmosfera.
O grupo também apresentou “THIS & THAT”, faixa-título de seu álbum mais recente, e, mesmo com o relógio já ultrapassando 1h da manhã, não havia sinais de que a energia diminuiria. Pelo contrário: em determinado momento, o Stray Kids transformou o Palco Mundo em uma verdadeira rave. Um dos responsáveis por isso foi “Side Effects”, faixa eletrônica lançada ainda nos primeiros anos da carreira do grupo e cuja presença na setlist surpreendeu os STAYs. Em seguida, vieram a versão de festival de “Do It” e “CEREMONY”, mantendo o ritmo intenso da apresentação.
A pausa na euforia chegou com “Stray Kids”, canção que traz uma reflexão sobre a trajetória dos integrantes e o caminho percorrido até aqui. Posteriormente, I.N revelou na plataforma Bubble que quase chorou durante a apresentação da música, emocionado e grato pelo momento vivido no festival.
Depois de mais de uma hora combinando vocais, rap, coreografias, banda ao vivo e uma interação constante com o público, o show caminhava para seus momentos finais — mas ainda havia espaço para novidades. O grupo apresentou pela primeira vez no Brasil “After You” e “RUN IT”, com a Cidade do Rock se transformando em um grande coro durante as performances.
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Grupo retorna para encore e realiza desejo dos fãs com “Hall of Fame”
Já era quase 2h da manhã quando parecia que o Stray Kids havia encerrado sua apresentação. Parte do público começava a se preparar para deixar o festival, enquanto espectadores das transmissões pela Globoplay e pelos canais oficiais do Rock in Rio também acreditavam que o show havia chegado ao fim. Mas o grupo voltou ao palco para o encore e ainda surpreendeu ao cantar um trecho de “Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, antes de perguntar aos fãs qual música eles queriam ouvir para encerrar a noite.
Foi então que aconteceu um dos momentos mais aguardados pelos STAYs brasileiros: “Hall of Fame”, faixa do álbum “5-STAR”, foi apresentada pela primeira vez em solo brasileiro. Há muito tempo desejada pelos fãs, a música transformou o encore em um dos pontos altos da noite e chegou ao segundo lugar entre os assuntos mais comentados globalmente no X.
Assim, o Stray Kids encerrou sua segunda passagem pelo Brasil com uma apresentação à altura do posto de headliner. Durante algumas horas, não parecia que o grupo havia simplesmente levado seu repertório para dentro do Rock in Rio: era como se um pedaço de sua própria turnê tivesse sido transportado para a Cidade do Rock.
Stray Kids ultrapassa a bolha do K-Pop e chama atenção de quem ainda não era fã
Não é de hoje que o Stray Kids construiu uma reputação por apresentações pensadas nos mínimos detalhes, e o Rock in Rio não foi diferente. Cada integrante encontrou sua própria maneira de dominar o palco, contribuindo para que o show funcionasse tanto coletivamente quanto nos momentos individuais.
O líder Bang Chan acompanhou a energia do público brasileiro do início ao fim, interagindo constantemente nos intervalos e durante as músicas. O australiano também mostrou a sua versão como carioca honorário se arriscando em expressões como “bora” e “caraca” e levou a plateia à loucura ao tirar a camisa durante “Hall of Fame”.
Hyunjin mostrou seu domínio da dança, vocais e sensualidade durante toda a apresentação, além de protagonizar um momento que repercutiu nas redes sociais e virou meme durante uma entrevista ao G1, quando respondeu “tá bom” antes mesmo de receber a tradução completa de uma pergunta.
Changbin, por sua vez, mostrou a potência de seu rap ao executar seus versos ao vivo enquanto mantinha uma interação constante com os fãs, sendo conquistado mais uma vez pelo público brasileiro.
Han entregou, como de costume, seu carisma durante toda a apresentação, dividindo com Changbin alguns dos momentos mais intensos do rap. O integrante transitou com facilidade entre versos poderosos, vocais, dança e interações espontâneas com os STAYs, sempre com um sorriso no rosto.
Lee Know também entregou uma performance marcada pela combinação entre vocais, dança e seu carisma mais reservado. Mesmo sem receber tanto destaque das câmeras da transmissão em alguns momentos, o integrante manteve sua presença durante toda a apresentação e contribuiu para a força coletiva das performances.
I.N roubou a cena diversas vezes com seu carisma e presença de palco, chegando a se aproximar da grade para dançar com os fãs e demonstrando aproveitar cada segundo da apresentação.
O vocalista Seungmin também não escondeu seu carinho pelo Brasil. Seu sorriso constante, olhos emocionados e as tentativas de se comunicar em português acompanharam vocais potentes durante toda a noite. Mesmo ainda se recuperando de uma lesão no tornozelo, o integrante permaneceu presente ao longo das duas horas de show.
E um dos nomes que mais chamou a atenção nas redes sociais foi Felix. O já conhecido “efeito Felix” apareceu no Rock in Rio: sua voz grave despertou a curiosidade até mesmo de espectadores que não conheciam o grupo, enquanto sua presença de palco e beleza etérea ganhou destaque em diferentes momentos. O integrante ainda se aproximou da grade para dançar com os fãs e entregou o famoso “passinho do Jamal”, que já era aguardado ansiosamente.
Mais importante do que cada destaque individual, porém, foi perceber como os integrantes funcionaram como uma unidade. O Stray Kids não diminuiu a intensidade para caber no festival; levou para o Rock in Rio justamente aquilo que tornou seus próprios shows reconhecíveis.
Conclusões finais
Em seu oitavo ano desde o debut, o Stray Kids chegou ao Rock in Rio em uma fase na qual já não precisa convencer o próprio público sobre sua capacidade de ocupar grandes palcos. A missão naquela noite era outra: mostrar que essa identidade também poderia funcionar diante de uma multidão muito maior e mais diversa, e funcionou.
Mesmo com a ausência de músicas queridas pelos fãs, como “MEGAVERSE” e “JJAM”, o grupo construiu uma setlist capaz de representar diferentes momentos de sua discografia e, principalmente, de aproveitar as possibilidades oferecidas por um festival do porte do Rock in Rio.
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Rock, rap, EDM, vocais, coreografias, banda ao vivo, referências à própria cultura e interações genuínas com o público brasileiro coexistiram em um show que não tentou transformar o Stray Kids em algo que ele não é para agradar a um festival tradicionalmente associado ao rock. Foi justamente o contrário: o Stray Kids levou seu próprio universo ao Rock in Rio e fez o festival caber dentro dele. E, depois de Bang Chan selar com uma promessa de dedinho que o grupo voltará ao Brasil, resta aos STAYs esperar para descobrir quando acontecerá o próximo encontro.
Foto Destaque: Stray Kids nos bastidores do Rock in Rio. Reprodução/X: @rockinrio