Após obras como “Round 6”, “The 8 Show” e “Parasita”, obras que expõem os limites da moralidade humana estão ganhando cada vez mais espaço. Em meio a isso, o segundo k-drama ,“The 8 Show”, aparece como mais um exemplo no arte de como o dinheiro e o poder podem comprar a humanidade, até dos mais sensíveis.
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Lançada em maio de 2024, “The 8 Show” é baseada webtoons Money Game e Pie Game, de Bae Jin-soo, a trama traz a união de suspense, jogos mortais e humor negro, a fim de exibir o que há de mais escuro na sociedade.
Enredo de The 8 Show
Em “The 8 Show” acompanhamos oito participantes, divididos em oito andares em um prédio fechado. A trama se passa pelo olhar de Bae Jin-su (Ryu Jun-yeol), jogador do terceiro andar, percebendo que a cada minuto que passa mais dinheiro entra em sua conta. Porém, ao comprar qualquer item dentro do jogo, a quantia diminui.
Para complementar a fórmula do sucesso, todos os participantes são endividados, à beira de um suicidio para escapar das contas. Com o passar dos dias, todos descobrem que o maior desafio é viver em coletivo, mantendo a humanidade enquanto tentam ganhar mais tempo, o que equivale a mais dinheiro.

Com o passar dos episódios de “The 8 Show” nos mostra a história de cada personagem, afundados em suas próprias histórias e sombras. Contudo, os participantes percebem que conforme mais alto o andar, mais dinheiro o jogador possui em sua conta. Isso transforma todas as interações em tentativas de obter mais lucros sem perder a humanidade (ou quase).
A realidade pouco vista em Round 6
“The 8 Show” também foi vista como uma cópia de menor lançamento e menor alcance de “Round 6”, contudo, sua trama pode se assemelhar ou até ser superior ao “batatinha frita 1,2,3”. Isso porque, diferente deste, a trama apresenta cenário muito mais semelhante à realidade.
Aqueles que estão acima, recebem mais fazendo muito pouco, além disso, podem até perder a noção do que é moralmente correto e incorreto. O importante é ganhar mais e serem devidamente entretidos pelos que estão abaixo.
Enquanto isso, nas camadas abaixo, o pouco é muito e o tempo é escasso. Não é à toa que o ditado “tempo é dinheiro” é espalhado como um mantra meritocrata.
Em “The 8 Show” isso não é diferente, o tempo é o maior inimigo e ações como subir escadas incansávelmente torna-se dinheiro para aumentá-lo em todos os momentos. Quando acaba a diversão de ver 7 pessoas em situação de miséria sofrendo; o show, de fato, começa.
Diferente de “Round 6”, não há tanto sangue, gore e joguinhos; mas sim, divertimento para os ricos. Desde um show de talentos fajutos até brigas incansáveis como uma rinha de galos, tudo pelo entretenimento meu, seu e dos mais altos. Nada de novo.
Clichês sempre serão expostos e aplaudidos
Como 90% das tramas do pop, “The 8 Show” acata e expõe os mesmos clichês já vistos por todos os espectadores.
O personagem Nº 3 é forçado, com linha de pensamento questionável e que tenta envolver o público (muitas vezes conseguindo). Temos também a patricinha burrinha, a vilã que é ruim por ser ruim, o nerd inteligente e manipulável. E claro, não podemos esquecer do abandonado à própria sorte, doente e que rouba o coração de todos com sua bondade.
Esses e outros clichês também aparecem em “The 8 Show”, com um final que divide opiniões. Justo? Não, mas a vida real também não é e a arte imita muito bem.
Foto Destaque: Cena de jogos em “The 8 Show”. Divulgação/Netflix