
“O Verão em que Hikaru Morreu”: identidade, luto e ameaça da montanha
O terceiro episódio de O Verão em que Hikaru Morreu aprofunda ainda mais o lado emocional da narrativa, deixando de lado o tom mais provocativo e voltando os holofotes para a relação entre Yoshiki e esse “novo” Hikaru. Aqui, a tensão não é apenas de medo, mas também de identidade: o que realmente significa estar diante de alguém que parece ser a pessoa que você ama, mas que, por dentro, é outra coisa completamente diferente?
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Há uma sensação quase sufocante de dependência emocional que transita entre os dois. Yoshiki demonstra uma boa vontade quase ingênua de ensinar esse novo Hikaru a se comportar, como se pudesse “reconstruir” a essência do amigo ou ao menos manter viva uma lembrança do que ele foi. Ao mesmo tempo, percebemos que o próprio Hikaru não sabe quem é. Ele copia, imita, observa e se molda, como um reflexo vazio que tenta ganhar forma.
Algo maior desceu da montanha
Este episódio também amplia a mitologia da série. Fica cada vez mais claro que a história do Hikaru não é um caso isolado. A ideia de que algo já havia “descido” da montanha antes traz uma tensão maior, como se aquele vilarejo estivesse acostumado a conviver com forças antigas e destrutivas, mas, desta vez, a situação fosse mais grave.
A chegada desse novo Hikaru parece ter trazido algo ainda mais pesado para a vila, um mal silencioso que muda o ar, altera a dinâmica das pessoas e sugere que a montanha não está mais contida como antes.
Passado, aceitação e o vínculo impossível
As pequenas pistas sobre o passado do verdadeiro Hikaru dão um peso extra à narrativa. É como se, através dessas memórias, Yoshiki estivesse tentando lidar com o luto e com a aceitação de algo impossível: amar e proteger alguém que já não existe, mas que carrega uma sombra do que um dia foi.

O episódio também mostra os primeiros passos de Yoshiki em direção à aceitação desse “novo” Hikaru, mesmo sabendo que ele não é o mesmo amigo de infância. Essa aproximação, por mais bonita que pareça em alguns momentos, carrega um perigo silencioso, afinal, que tipo de vínculo se constrói com algo que não possui uma identidade própria?
O peso emocional supera o terror em “O Verão em que Hikaru Morreu”
O terceiro episódio de O Verão em que Hikaru Morreu aprofunda o que o anime tem de melhor: a mistura entre horror cósmico e drama humano. O terror aqui não é apenas o sobrenatural da montanha, mas também a confusão emocional e psicológica de personagens que não sabem se devem amar ou temer o que está diante deles.

Se a história continuar explorando esse peso emocional junto com os segredos da vila, podemos esperar uma temporada que vai muito além do terror tradicional e isso só torna a obra ainda mais única.
Foto destaque: Cena do episódio 3 de O Verão em que Hikaru Morreu. (Reprodução/Netflix)