
Review | Gachiakuta Episódio 3: Superfície
O terceiro episódio de Gachiakuta faz uma pausa na intensidade física dos capítulos anteriores para mergulhar no funcionamento interno do mundo onde Rudo agora vive. Aqui, o anime equilibra com precisão três elementos essenciais para um anime duradouro: desenvolvimento de personagem, expansão de universo e uma dose inesperada de comédia. Com novos personagens, conceitos reveladores e momentos que humanizam a jornada, o anime mostra que ainda tem muito o que entregar.
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Um episódio que respira entre os escombros
Depois de dois episódios frenéticos e densos, Gachiakuta desacelera. Não no sentido de ficar menos interessante, mas sim por optar por construir vínculos entre personagens e revelar as engrenagens que sustentam o universo narrativo. O espectador finalmente entende o que são os Trash Beasts, como eles surgem, e o que significa ser um Giver nesse mundo sujo e rejeitado.
A série explica que os Trash Beasts não são simples monstros de lixo. Eles são criados a partir da energia emocional acumulada nos objetos descartados, sentimentos, pensamentos, mágoas e rancores. Essa energia, chamada de Anima, se acumula e transforma pilhas de lixo em criaturas violentas e imprevisíveis. A ideia é poderosa: o lixo do mundo carrega as dores que ninguém quis lidar.
Instrumentos Vitais e a alma dos objetos
O episódio também aprofunda o conceito dos Instrumentos Vitais. Rudo descobre que apenas objetos tratados com zelo e importância podem se tornar armas verdadeiras nesse universo. Não basta ser forte ou perigoso, é necessário que o item tenha sido amado. Enjin, mais uma vez, funciona como mentor, mesmo com seu jeito ríspido. Ele explica que nem todo mundo consegue canalizar o poder desses objetos, apenas aqueles com uma ligação genuína com eles. Esses são os Givers. E Rudo, naturalmente, é um deles.
O anime acerta em construir esse sistema de poder não apenas como uma ferramenta narrativa, mas como uma extensão emocional dos personagens. Rudo não carrega luvas poderosas por acaso. Elas são herança de seu pai e representam o elo com seu passado, sua luta por dignidade e a memória de quem o tratou com humanidade.
O humor surge para equilibrar a sujeira emocional
A grande virada do episódio acontece quando Gachiakuta quebra, pela primeira vez, o tom sério que havia mantido até agora. Rudo conhece Zanka, um membro dos Cleaners, e a sequência de acontecimentos beira o absurdo, no melhor sentido da palavra. Um gato rouba seu dinheiro. Um mal-entendido sobre um cajado roubado. Um desentupidor virando arma. Brigas envolvendo fezes voadoras. Tudo isso poderia parecer deslocado, mas funciona.
O humor aqui não surge para suavizar a história, mas para mostrar que até no lixo há espaço para conexões humanas, para o ridículo, para o riso. Rudo, pela primeira vez, tenta sorrir. E falha miseravelmente. Mas só o fato de ele tentar já é um sinal de crescimento emocional.


Zanka e Riyo: novos personagens, novas dinâmicas
Zanka se apresenta como o oposto de Enjin. Ele é expressivo, impulsivo e cheio de opiniões. Ainda assim, é justo com Rudo, e o episódio constrói, entre tapas e ofensas, o início de uma amizade. A química entre os dois é instantânea, sustentada por falas bem escritas e um ritmo de cena envolvente. A direção aproveita esse momento mais leve para deixar o espectador respirar, mas sem esquecer do peso que está sendo carregado.
Riyo aparece rapidamente, mas com impacto. Sua curiosidade por Rudo quebra o clima hostil e introduz uma nova camada de interação. Diferente de Zanka ou Enjin, ela traz um olhar mais observador e intuitivo. Sua presença é breve, mas suficiente para gerar expectativa sobre seu papel nos próximos episódios.

A vida no Abismo não dá descanso
Apesar do tom cômico em boa parte do episódio, o roteiro nunca deixa de lembrar que Rudo continua em um mundo cruel. Quando ele se sente humilhado por lutar com um desentupidor, a série nos lembra que ele ainda está se adaptando, ainda sofre, ainda está deslocado. O Abismo não é um lar, é um lugar de sobrevivência. Mas, talvez, ao lado dessas figuras improváveis, ele encontre algo parecido com acolhimento.
Direção inteligente e ritmo equilibrado
A direção do episódio mostra domínio total da narrativa. Em vez de manter o tom pesado constantemente, o anime arrisca e acerta ao apostar na leveza. A cena do gato, os cortes rápidos nas brigas, os enquadramentos exagerados nos momentos de humor: tudo contribui para criar uma pausa emocional necessária depois da intensidade dos dois primeiros capítulos.
A animação continua sólida. Os detalhes dos objetos, os efeitos de transformação dos Instrumentos Vitais e a expressão facial dos personagens merecem destaque. A trilha sonora, embora mais discreta aqui, acompanha bem as mudanças de tom.

Gachiakuta prova que também sabe rir e isso só a torna mais forte
O episódio 3 de Gachiakuta é uma virada de chave. Ele mostra que o anime não se resume à raiva, ao abandono ou à crítica social. Há espaço para humor, para conexões humanas, para tentativa de sorriso, por mais desajeitado que seja. Rudo continua sendo um protagonista cheio de dor, mas agora ele começa a construir vínculos. E isso muda tudo.
Com novos personagens carismáticos, mais peças do universo reveladas e um tom surpreendentemente leve, Gachiakuta entrega um dos episódios mais equilibrados da temporada. O que parecia uma história de sobrevivência brutal agora mostra que pode ser, também, uma história sobre encontrar pessoas que te veem no meio do caos.
Gachiakuta está disponível na Crunchyroll.
Foto Destaque: Rudo, protagonista do anime Gachiakuta. Divulgação/Crunchyroll
Review | Gachiakuta Episódio 3: Superfície
Overall
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Construção de mundo
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Desenvolvimento do protagonista (Rudo)
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Introdução de personagens (Zanka e Riyo)
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Roteiro e ritmo
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Sistema de poder (Givers e Instrumentos Vitais)
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Humor e leveza
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Direção de arte e ambientação
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Animação
Descrição
O episódio 3 de Gachiakuta traz um ritmo mais leve e bem-humorado, mas sem perder o peso emocional da narrativa. Com a introdução de Zanka e Riyo, a trama amplia seu núcleo de personagens e aprofunda o universo dos Givers e dos Instrumentos Vitais. O episódio ainda explica a origem dos Trash Beasts e mostra que o mundo do Poço está repleto de perigos e também de conexões inesperadas. A direção acerta ao equilibrar lore, emoção e comédia, dando espaço para que Rudo se desenvolva emocionalmente.