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HYBE perde ação contra Min Hee-jin e terá que pagar 25,5 bilhões de won

A Justiça sul-coreana decidiu nesta quinta-feira (12) a favor de Min Hee-jin, ex-CEO da ADOR, na disputa judicial contra a HYBE envolvendo a validade de contrato entre acionistas e o exercício de put option (opção de venda de ações). A decisão reconheceu como legítimo o direito da executiva e determinou o pagamento de aproximadamente 25,5 bilhões de won (aproximadamente R$ 91,8 milhões), além de impor à HYBE o pagamento das custas processuais.

Em resposta, a OK Records, empresa ligada à executiva, divulgou comunicado oficial agradecendo ao tribunal e afirmando que Min Hee-jin agora pretende se dedicar integralmente às suas atividades como criadora, produtora e gestora no mercado do K-pop. A HYBE, por sua vez, informou que irá recorrer da sentença.

min hee-hin vs Bang Si-hyuk
Foto: Divulgação/Yonhap

Justiça valida contrato e reconhece direito ao put option

A decisão foi proferida pela 31ª Vara Cível do Tribunal Distrital Central de Seul, sob presidência do juiz Nam In-soo. O colegiado rejeitou o pedido da HYBE que buscava confirmar a rescisão do contrato entre acionistas e invalidar o exercício da opção de venda por parte de Min Hee-jin.

Na sentença, o tribunal declarou que:

  • O pedido da HYBE foi indeferido;
  • A empresa deverá arcar com os custos do processo;
  • O exercício da put option por Min Hee-jin é legítimo;
  • A HYBE deve pagar o valor equivalente a 25,5 bilhões de won.

A disputa teve origem após Min Hee-jin comunicar, em novembro de 2024, sua renúncia ao cargo de diretora interna da ADOR e notificar a HYBE sobre o exercício da opção de venda, cujo valor total estimado ultrapassava 26 bilhões de won, com ação judicial estipulada em aproximadamente 28,7 bilhões de won.

Entenda o contrato e os valores envolvidos

A put option era um dos principais pontos do contrato firmado entre Min Hee-jin e a HYBE. O acordo previa que, ao exercer o direito, a executiva poderia vender suas ações com base em um cálculo específico:

  • Média do lucro operacional dos dois anos anteriores da ADOR;
  • Multiplicação por 13 vezes;
  • Aplicação sobre 75% de sua participação acionária.

Segundo relatório de auditoria divulgado em abril de 2024, Min Hee-jin detinha 573.160 ações da ADOR, equivalentes a 18% da empresa. Com base nesse critério, o valor estimado girava em torno de 26 bilhões de won.

A HYBE, entretanto, alegou em julho de 2024 que havia rescindido o contrato por quebra de confiança, defendendo que o direito ao put option estaria extinto.

HYBE perde ação contra Min Hee-jin
Foto: Divulgação/HYBE

Tribunal considera legítimas críticas sobre suposto plágio do ILLIT

Outro ponto de destaque na decisão foi a análise das declarações feitas por Min Hee-jin sobre suposta similaridade entre o grupo ILLIT e o NewJeans.

O tribunal afirmou que o levantamento da questão de plágio e as críticas feitas pela executiva não configuram violação grave de dever contratual. Segundo a decisão:

  • A semelhança entre o desempenho de estreia do ILLIT e o conceito do NewJeans foi apontada em relatório;
  • Pais de integrantes do NewJeans chegaram a apresentar petições formais;
  • Não ficou comprovado erro de premissa factual nas alegações;
  • A polêmica não pode ser considerada totalmente encerrada.

A corte entendeu que a manifestação de Min Hee-jin se tratou de opinião, não de divulgação de informação falsa, e que a atitude se enquadrava dentro da margem de decisão administrativa para proteger os interesses da ADOR e o valor do NewJeans.

Depoimentos e tensão nos tribunais

Durante o processo, houve momentos de forte tensão entre as partes. Em setembro de 2025, Min Hee-jin compareceu ao tribunal para interrogatório, enquanto a HYBE apresentou como testemunha o diretor jurídico (CLO) Jung Jin-soo.

O executivo afirmou que Min Hee-jin teria solicitado elevar o múltiplo da put option de 13 para 30 vezes, além de mencionar supostos planos de independência e encontros com investidores japoneses para discutir o contrato.

A defesa de Min Hee-jin rebateu, alegando que reuniões com investidores fazem parte da rotina de um CEO. Houve ainda acusações mútuas de contradição e alegações de falso testemunho durante os depoimentos.

OK Records agradece decisão e fala em “novo começo”

Após a sentença favorável a Min Hee-jin, a OK Records divulgou um posicionamento oficial no qual afirmou respeitar integralmente a decisão do tribunal e manifestou profunda consideração pelo julgamento conduzido de forma cautelosa e objetiva. A empresa ressaltou que o caso não se limitava a uma disputa pessoal, mas representava um debate mais amplo sobre a validade de contratos entre acionistas e a legitimidade de direitos estabelecidos no setor do entretenimento.

No comunicado, a OK Records destacou que Min Hee-jin sempre enxergou o processo como uma oportunidade para além da reparação individual, expressando o desejo de que a ação contribuísse para corrigir práticas consideradas inadequadas dentro da indústria do K-pop e para reforçar a importância do cumprimento rigoroso dos acordos firmados.

A empresa também reconheceu o desgaste provocado pela longa batalha judicial e pediu desculpas aos fãs e aos profissionais do mercado do entretenimento que acompanharam o conflito. No mesmo tom, agradeceu aos envolvidos no processo, inclusive aos representantes da HYBE, reconhecendo o esforço de todos durante o período de disputa.

Segundo a nota, a intenção agora é deixar o conflito no passado e retomar os planos traçados inicialmente. A OK Records afirmou que irá concentrar seus esforços na construção de um ambiente de gestão estável, priorizando a valorização dos artistas e a formação de novos talentos capazes de representar o K-pop globalmente. Min Hee-jin, por sua vez, pretende direcionar sua energia novamente às suas funções como criadora, produtora e gestora, dedicando-se integralmente às atividades que definem sua trajetória profissional.

OK Records min hee-jin
Foto: Divulgação/Xportsnews

HYBE anuncia recurso

Poucas horas após a decisão, a HYBE divulgou posicionamento oficial afirmando que lamenta que seus argumentos não tenham sido plenamente acolhidos pelo tribunal.

A empresa informou que irá analisar a sentença detalhadamente e que pretende dar sequência aos procedimentos legais cabíveis, incluindo recurso.

Declarações anteriores marcaram ruptura definitiva

Quando anunciou sua saída da ADOR, Min Hee-jin afirmou que pretendia responsabilizar juridicamente a HYBE por violações contratuais. Na ocasião, declarou que o conflito teria começado com auditoria considerada irregular e descreveu o período de disputa como “um inferno” que durou mais de sete meses.

Foto Destaque: Min Hee-jin; Bang Si-hyuk. Divulgação/HYBE