
“Disseram que eu estava doente”: Kokoro acusa agência de forjar diagnóstico e detalha abusos após saída do ME:I
A cantora Kokoro, ex-integrante do Cherry Bullet e do girl group japonês ME:I, acusou sua antiga agência, a LAPONE GIRLS, de ter forjado um diagnóstico de transtorno mental para justificar sua remoção do grupo e o encerramento de seu contrato. As denúncias foram feitas em entrevista à revista japonesa Shukan Bunshun, publicada em 14 de janeiro, e provocaram forte repercussão no Japão.
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Segundo Kokoro, além da falsificação de informações médicas, a agência violou repetidamente sua privacidade, distorceu episódios internos e impediu deliberadamente seu retorno às atividades, mesmo após médicos indicarem que ela estava apta a trabalhar.
“A empresa mentiu dizendo que eu estava doente. Quero esclarecer os mal-entendidos que eles criaram e recuperar meus direitos humanos”, afirmou a artista.

Da retomada da carreira ao rompimento repentino
Kokoro estreou na indústria musical em 2019, como integrante do grupo sul-coreano Cherry Bullet, mas deixou a formação ainda no mesmo ano. Em 2024, voltou aos holofotes ao participar do reality Produce 101 Japan The Girls, onde ficou em 11º lugar, garantindo uma vaga no recém-formado ME:I.
O grupo debutou oficialmente em abril de 2024, sob a gestão da LAPONE GIRLS, selo japonês ligado à CJ ENM. A expectativa era de uma nova fase estável na carreira da artista, agora com foco total no mercado japonês.
Menos de dois anos depois, no entanto, Kokoro teve seu contrato rescindido, sem aviso prévio público e sem a possibilidade de se despedir dos fãs.
A versão divulgada pela imprensa e a contestação de Kokoro
Na época, veículos japoneses noticiaram que a idol havia sido afastada por “comportamentos problemáticos recorrentes”. A revista Josei Jishin chegou a afirmar que Kokoro teria se afastado por motivos de saúde, mas continuado a sair em público, o que teria desagradado a agência.
Kokoro nega essa versão e afirma que a narrativa foi construída para justificar sua exclusão. Segundo ela, o atrito com a empresa começou porque passou a questionar práticas internas e a intermediar conflitos entre integrantes e equipe.
“Eu me importava muito com o grupo. Quando surgiam pequenas reclamações, eu tentava resolver para que não se tornassem algo maior. Acho que isso foi interpretado como se eu estivesse indo contra a empresa.”

Rotina exaustiva e invasões de privacidade
Na entrevista, Kokoro detalhou o que descreve como um ambiente de controle constante. Segundo ela, as integrantes eram submetidas a pesagens repentinas, revistas em quartos, geladeiras e pertences pessoais, além de inspeções até no lixo.
Desde o debut, afirma, quase não havia dias de folga: “Eu estava exausta, física e mentalmente”, relatou. O desgaste atingiu o ápice quando, em um momento de sobrecarga, Kokoro saiu de um grupo de mensagens que reunia integrantes e managers. “Foi a forma que encontrei de mostrar que não estava conseguindo suportar mais”, explicou.
O episódio tratado como prova de doença
Apesar de continuar morando no dormitório do grupo e manter outros canais de comunicação, a agência teria tratado a saída do grupo de mensagens como indício de problema psicológico. Kokoro foi então orientada a procurar atendimento médico. Ela afirma ter passado por duas consultas em hospitais de Tóquio, uma de cerca de 30 minutos e outra de apenas 15 minutos.
“Em ambos os casos, os médicos disseram que eu estava bem e que poderia continuar trabalhando”, afirmou.
O diagnóstico que ela diz nunca ter recebido
Mesmo assim, no dia 24 de março de 2025, executivos da LAPONE GIRLS informaram Kokoro e sua mãe de que os dois hospitais teriam diagnosticado transtorno de personalidade borderline, recomendando afastamento imediato das atividades.
“Fiquei muito confusa e assustada. Mas aceitei porque pensei que, descansando, conseguiria voltar ao grupo.”
Quatro dias depois, sua mãe recebeu um e-mail informando que a agência divulgaria um comunicado oficial anunciando a suspensão de Kokoro. A artista afirmou que não concordava com o texto, mas aceitou porque sua prioridade era retornar.

Novas consultas e contradições médicas
Durante o período de afastamento, Kokoro voltou para Nagoya, sua cidade natal, onde procurou outro médico. Segundo ela, o profissional foi categórico ao afirmar que não é possível diagnosticar transtorno de personalidade borderline em consultas tão breves. Ao levar essa informação de volta a um dos hospitais de Tóquio, Kokoro afirma que os médicos negaram ter feito tal diagnóstico. Os registros médicos indicariam que sua condição era “boa”.
Após questionamentos feitos por seu advogado, o hospital respondeu que uma assistente de enfermagem havia repassado informações incorretas, supostamente baseadas em relatos feitos por um manager da agência. Entre as alegações atribuídas à artista estavam episódios extremos, como correr em estado de frenesi, gritar, chorar e até ameaçar suicídio.
“Isso é completamente falso. Nada disso aconteceu”, afirmou Kokoro.
Tentativas de retorno e ruptura definitiva
Mesmo afastada, Kokoro afirma que nunca desistiu de voltar ao ME:I. Durante o período de descanso, viajava semanalmente para Tóquio, escrevia músicas em casa e frequentava karaokês sozinha para se manter próxima da música. Em julho, retornou ao dormitório do grupo para se preparar para o retorno.
Segundo ela, executivos entraram em seu quarto sem autorização e disseram que ela estava “ficando louca” por permanecer em um ambiente escuro. Apesar de um manager prometer ajudá-la, o desfecho foi outro. A agência informou que a renovação de contrato era impossível.
“Quando perguntei o motivo, disseram apenas que havia várias razões”, contou. “Disseram que eu quebrei regras, mas eu nunca quebrei nenhuma.”

Sem despedida e futuro indefinido
Kokoro afirmou que o que mais lamenta é não ter podido se despedir dos fãs nem das integrantes. “Eu só queria mostrar aos fãs que estou saudável”, disse. “Quero continuar retribuindo todo o apoio que recebi.”
Atualmente, o ME:I, que debutou com 11 integrantes, atua com sete membros, após as saídas de Kokoro, Ran, Shizuku e Kokona. A LAPONE GIRLS ainda não respondeu publicamente às acusações.
Foto Destaque: Kokona em foto conceito d e ‘MIRAI 1st Single Album teasers’. Divulgação/ME:I