
Taekwondo pode virar patrimônio cultural imaterial compartilhado entre as Coreias na Unesco
O taekwondo, uma das artes marciais mais tradicionais da Coreia, pode ganhar reconhecimento internacional como patrimônio cultural imaterial compartilhado. Nesta segunda-feira (19), fontes sul-coreanas divulgaram que Seul pretende unir forças com Pyongyang para buscar a inclusão do esporte na lista da Unesco. Se aprovada, a proposta marcará a segunda inscrição conjunta entre os países desde o ssireum (2018).
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Desenvolvido na Coreia após o fim do período de ocupação japonesa, o taekwondo surgiu como símbolo de renascimento cultural e enfatiza o equilíbrio entre corpo e mente, além de valores como respeito, disciplina e perseverança. Atualmente, é considerado um dos maiores símbolos culturais do país e vai além de uma arte marcial: o taekwondo também se consolidou como modalidade olímpica, integrando oficialmente os Jogos desde os anos 2000.

União entre as duas Coreias sobre o taekwondo demonstra a valorização cultural
O Comitê do Patrimônio Cultural, órgão consultivo do Korea Heritage Service (KHS), selecionou o taekwondo como candidato a uma inscrição conjunta ou ampliada na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, durante uma reunião recente, conforme informou a agência governamental.
“Planejamos apresentar a candidatura ao Comitê Intergovernamental da Unesco para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial até março”, afirmou um porta-voz do KHS sob condição de anonimato.
A iniciativa ocorre após Pyongyang, capital da Coreia do Norte, ter enviado sua própria candidatura, em março de 2024, para incluir “Taekwon-Do, arte marcial tradicional na República Popular Democrática da Coreia” na lista da Unesco. A análise do pedido norte-coreano segue em andamento, e a decisão final deve ser definida durante a 21ª sessão do comitê, marcada para acontecer em Xiamen, na China, entre 30 de novembro e 5 de dezembro deste ano. Caso a inscrição conjunta seja aprovada, será a segunda vez que as duas Coreias alcançarão um reconhecimento compartilhado na lista de patrimônio cultural imaterial, após o ssireum — luta tradicional coreana — ter sido incluído em 2018.
Para a Coreia do Norte, o taekwondo se tornaria o sexto item do país reconhecido como patrimônio cultural imaterial pela Unesco, caso seja aprovado. Atualmente, a lista norte-coreana inclui a canção folclórica “Arirang” (2014), o preparo do kimchi (2015), o ssireum (2018), o costume do “Pyongyang Raengmyon” (macarrão frio) (2022) e o “costume do traje coreano: conhecimentos tradicionais, habilidades e práticas sociais” (2024).

Já a Coreia do Sul possui 23 inscrições na lista da Unesco, que vão desde o “Jongmyo Jeryeak” — música orquestral tocada em rituais de um santuário confucionista real, inscrita em 2001 — até a tradição de produção de molhos de soja fermentados, reconhecida como “Conhecimentos, crenças e práticas relacionadas à produção de jang”. Seul ainda busca ampliar sua lista de reconhecimentos culturais e tenta incluir ainda neste ano os conhecimentos tradicionais e as habilidades relacionadas à produção do hanji, o papel tradicional coreano. Outro candidato, “Cultura do Ginseng: uma cultura de cuidado e valorização da natureza e da família (comunidade)”, está previsto para avaliação em 2028.
Foto Destaque: Luta de taekwondo nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Reprodução/Comitê Olímpico Coreano