
Professores sul-coreanos relatam trauma à Justiça após deepfakes sexuais criados por alunos
Promotores sul-coreanos pediram até dois anos de prisão para o aluno que criou deepfakes sexuais de seus professores. Os relatos das vítimas foram dados na última segunda-feira (8) e mostram traumas e sofrimento intenso sofridos por essas após a mentira se espalhar.
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As autoridades acusam o adolescente de criar e editar as imagens falsificadas, configurando violação da Lei de Casos Especiais Relacionados à Punição de Crimes Sexuais. Contudo, de acordo com a Lei da Infância e Juventude, os jovens que cometem crimes antes dos 19 anos recebem sentenças indeterminadas, cabendo ao tribunal definir o período mínimo e máximo de encarceramento.

Deepfakes e professores: a educação na mira do terror
A criação das deepfakes teria acontecido dois anos atrás, em agosto de 2024, quando o adolescente ainda cursava o ensino fundamental. De acordo com as investigações, ele teria usado de inteligência artificial para adicionar o rosto de cinco professoras a fotografias de nudez e pornográficas e depois compartilhar nas redes sociais. Três das cinco vítimas compareceram ao julgamento na segunda-feira.
Para o caso do aluno citado, os promotores coreanos exigem mudança, pena entre dois a três anos, durante o julgamento final no Tribunal Distrital de Incheon: “Apesar de o réu ser menor de idade e ter se entregado voluntariamente, ele criou imagens deepfake de professores e distribuiu algumas delas a terceiros”. Além disso, acrescentaram que “uma punição severa é necessária, pois o dano causado não pode ser facilmente revertido”
“Eu costumava amar as crianças mais do que qualquer pessoa, mas agora me pego duvidando dos meus alunos”, relatou uma professora. “Mesmo depois de meses de terapia, meu coração ainda afunda ao som do obturador de uma câmera ou sempre que ouço a palavra ‘deepfake’”
Outra professora chorou no tribunal, relatando que achava que seu papel era guiar seus alunos pela vida e manter uma aproximação com eles. “Os valores que eu defendia como professora ruíram, e meus objetivos de vida se desfizeram por completo”, completou.
Durante o tribunal e as demais discussões, os professores enfatizaram que a idade do réu não deveria ser levada em conta por clemência, visto que as deepfakes nunca serão removidas completamente da internet. Ao final do tribunal, o culpado se pronunciou: “Tenho refletido sobre cada ação que tomei desde o incidente. Sinto muito.”
Em contrapartida, seu advogado relatou que o “crime pode ter surgido de uma curiosidade sexual” devido a pouca idade do réu e completou que mesmo tendo-os cometido, ele ainda pode corrigir seu comportamento. Durante a investigação, as autoridades concluíram que o crime foi premeditado. Segundo os investigadores, o adolescente teria enganado uma das professoras para obter suas fotos, alegando falsamente que havia perdido imagens e contatos após restaurar o celular para as configurações de fábrica. Após receber, ele usava para criar as imagens falsas.
O aluno é acusado de criar vídeos e imagens em 35 ocasiões, envolvendo 11 vítimas, entre elas, 5 professoras. Embora os professores tivessem tomado conhecimento dos crimes em janeiro, ele evitou medidas disciplinares ao se retirar da escola antes da convocação de uma comissão de direitos dos professores.
E a história se repete
De alguns anos até 2026, a Coreia do Sul enfrenta uma onda maçante no aumento de deepfakes pornográficas nas escolas e universidades. Com o uso da inteligência artificial, os criminosos inserem o rosto das vítimas _ em sua grande maioria, mulheres jovens – em imagens explícitas de nudez e pornografia. Em setembro de 2025, a BBC junto a jornalistas coreanos noticiaram que mais de 500 escolas e universidades haviam sido afetadas.
Uma pesquisa conduzida pelo Korean Teachers and Education Workers Union (KTU) em agosto de 2024 revelou a dimensão do problema. Ao questionar professores e alunos sobre experiências com imagens manipuladas ilegalmente, o sindicato recebeu 2.492 relatos de casos. Entre os locais estavam ensino médio, fundamental e instituições de ensino especial. No total, 517 indivíduos foram afetados, sendo 204 professores e 304 alunos e os demais eram funcionários da escola.
Foto Destaque: Professores manifestando acerca das deepfakes no centro de Seul em setembro de 2024. Divulgação/YONHAP