
Mini drama chinês provoca indignação ao retratar casamento forçado de menina de 7 anos
Um drama chinês de episódios curtos se tornou alvo de forte reação negativa nas redes sociais após a divulgação de uma trama que envolve o casamento forçado de uma menina de apenas sete anos. Exibida na Douyin, plataforma equivalente ao TikTok na China, a série passou a ser duramente criticada por espectadores, especialistas e defensores dos direitos da criança, que acusam a produção de ultrapassar limites éticos ao inserir elementos românticos envolvendo uma personagem infantil.
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A polêmica ganhou força nos últimos dias, quando cenas do mini drama começaram a circular amplamente nas redes, impulsionando pedidos públicos para que o conteúdo seja retirado do ar e para que autoridades reguladoras intervenham.

Trama polêmica virou alvo imediato de críticas
Intitulada Forcing the “Lucky Carp” to Marry the “Living King of Hell”, Leaving the Prime Minister’s Mansion Completely Devoid of Fortune, a série conta com cerca de 80 episódios curtos e rapidamente se transformou em um dos títulos mais comentados, e criticados, do momento no ambiente digital chinês.
A narrativa acompanha uma criança de origem humilde que vive em uma residência aristocrática poderosa. Considerada portadora de “boa sorte”, comparada simbolicamente a uma “carpa da fortuna”, a menina passa a ser explorada pela própria família, que decide usá-la como moeda de troca. Para preservar os interesses do clã, ela é obrigada a se casar no lugar de outra mulher com um general temido por sua brutalidade, conhecido como o “Rei do Inferno Vivo”.
Romance envolvendo criança é ponto central da revolta
Embora a história tente se desenvolver como um drama de redenção, no qual a presença da menina transforma o destino do general e leva à queda daqueles que a exploraram, foi a idade da protagonista que gerou indignação generalizada.
A personagem é apresentada explicitamente como uma criança de sete anos, mas o roteiro inclui elementos típicos de romances adultos, como intimidade emocional e até cenas de beijo. Na vida real, a atriz Liu Xingchen tem apenas 10 anos. Seu par romântico é interpretado por Jin Wang, ator que, segundo informações divulgadas nas redes sociais chinesas, é cerca de 18 anos mais velho.
Para muitos espectadores, o simples fato de colocar uma criança nesse tipo de contexto já configura um problema grave, independentemente do gênero ou da ambientação fictícia.
Pressão cresce por boicote e retirada do conteúdo
Plataformas como Weibo e a própria Douyin foram tomadas por críticas. Usuários acusam a série de normalizar práticas abusivas, distorcer valores morais e falhar na proteção de menores. Comentários pedem o boicote da produção, responsabilização dos produtores e punições às plataformas que permitem a exibição do conteúdo.
“Isso não é entretenimento, é uma falha ética”, escreveu um internauta em uma publicação que ultrapassou milhares de curtidas. Outros apontam que o problema vai além da série em si e reflete um sistema que prioriza visualizações acima de qualquer responsabilidade social.
Apesar da pressão crescente, o drama segue disponível e continua acumulando números expressivos de audiência.

Explosão dos dramas curtos levanta alerta sobre regulação
Nos últimos anos, os dramas de formato curto se tornaram um fenômeno na China. Produções rápidas, de baixo custo e com episódios de poucos minutos passaram a dominar plataformas digitais, atraindo milhões de visualizações diárias.
No entanto, especialistas apontam que a falta de critérios rigorosos de avaliação e fiscalização abriu espaço para conteúdos problemáticos. Roteiros apressados, temas sensíveis tratados de forma superficial e ausência de limites claros tornaram-se recorrentes.
Foto Destaque: cenas do mini drama chinês. Reprodução/Redes Sociais