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Polícia sul-coreana pede prisão de Bang Si-hyuk, fundador da HYBE

Polícia sul-coreana pede prisão de Bang Si-hyuk, fundador da HYBE

A Polícia Metropolitana de Seul solicitou nesta terça-feira (21) um mandado de prisão contra Bang Si-hyuk, presidente e fundador da HYBE, a poderosa gravadora responsável pelo grupo BTS, por suspeita de negociação fraudulenta de ações.

A investigação apura se o executivo enganou investidores antes da abertura de capital da empresa, em 2020, obtendo lucros ilegais estimados em cerca de R$ 730 milhões.

prisão Bang Si-hyuk
Foto: Reprodução/YouTube/Asia Society

Acusações e base legal

Segundo a Divisão de Investigação de Crimes Financeiros da Polícia Metropolitana de Seul, Bang teria dito a investidores da HYBE — então chamada Big Hit Entertainment — em 2019 que não havia planos de listar a empresa na bolsa de valores. Com base nessa afirmação, os investidores foram induzidos a vender suas participações a um fundo de private equity específico. Poucos meses depois, em 2020, a companhia realizou sua abertura de capital.

As autoridades suspeitem que Bang tenha firmado um acordo sigiloso com o fundo, pelo qual receberia 30% dos ganhos de capital obtidos com a venda das ações após o IPO. Esse arranjo teria rendido ao executivo cerca de 190 bilhões de wons (aproximadamente R$ 710 milhões) em benefícios indevidos.

A solicitação de mandado foi embasada na Lei do Mercado de Capitais da Coreia do Sul, que proíbe a obtenção de ganhos financeiros por meio de declarações falsas ou esquemas enganosos relacionados a produtos de investimento financeiro, incluindo ações não listadas. Quem violar a lei e obter lucros de 5 bilhões de wons ou mais pode ser condenado a pena de prisão de cinco anos a reclusão perpétua.

PONTOS-CHAVE DO CASO
• Ano dos fatos: 2019 (declarações falsas) / 2020 (IPO da HYBE)
• Valor estimado do lucro ilícito: ~190 bilhões de wons (≈ US$ 135 mi)
• Lei aplicada: Lei do Mercado de Capitais da Coreia do Sul
• Pena máxima prevista: Prisão perpétua (lucros acima de 5 bi de wons)
• Ações da HYBE: registraram queda após a notícia do pedido de prisão
• Status atual: Mandado enviado ao Promotoria Sul de Seul para análise
Bang Si-hyuk hybe preso
Foto: Divulgação/Banco de Dados Xportsnews

Cronologia da investigação contra Bang Si-hyuk

A investigação contra Bang Si-hyuk começou ainda em 2024, quando a polícia recebeu informações sobre as irregularidades e iniciou apurações sigilosas. Em junho e julho de 2025, as autoridades realizaram buscas e apreensões na Bolsa de Valores da Coreia e na sede da HYBE, tornando pública a investigação. Em agosto de 2025, Bang foi proibido de deixar o país ao retornar de viagem aos Estados Unidos.

Entre setembro e novembro de 2025, Bang foi chamado para prestar depoimento cinco vezes. A polícia também obteve na Justiça o congelamento de ações da HYBE de propriedade do executivo, avaliadas em aproximadamente 156,8 bilhões de wons. Após esse período, a investigação ficou estagnada por mais de cinco meses enquanto os investigadores realizavam análise jurídica do caso.

Repercussão diplomática: pedido dos EUA

O caso ganhou dimensão diplomática quando a Embaixada dos Estados Unidos em Seul enviou uma carta à Agência Nacional de Polícia solicitando a suspensão da proibição de viagem de Bang Si-hyuk. A justificativa apresentada foi a necessidade de o executivo participar de atividades internacionais, entre elas a turnê mundial do BTS.

A iniciativa gerou polêmica na Coreia do Sul, com críticos questionando se tratava de ingerência diplomática indevida em um processo criminal em andamento. As autoridades policiais, no entanto, mantiveram as restrições ao executivo.

Polícia realiza operação de busca e apreensão na sede da HYBE
Foto: Divulgação/HYBE

Defesa de Bang Si-hyuk e posição da HYBE

Desde o início das investigações, Bang Si-hyuk sustenta que todos os procedimentos relacionados ao IPO foram conduzidos em conformidade com a legislação e as regulamentações vigentes. Por meio de sua defesa, o executivo classificou de ‘lamentável’ o pedido de prisão, afirmando ter cooperado com as autoridades por um longo período.

“Continuarei a esclarecer os fatos da melhor maneira possível, participando diligentemente dos futuros procedimentos legais”, disse Bang em comunicado divulgado por sua assessoria jurídica.

A HYBE, que está com o BTS em plena turnê mundial, acompanha de perto os desdobramentos do caso. Bang Si-hyuk é o maior acionista da empresa e tem papel central nas principais decisões estratégicas do grupo.

Próximos passos

O pedido de mandado de prisão foi encaminhado ao Gabinete do Promotor do Distrito Sul de Seul, que decidirá se solicita ou não o mandado ao tribunal. Caso a promotoria avance com a solicitação, uma audiência de avaliação de prisão preventiva deve ser realizada em dois a três dias. O tribunal terá então a palavra final sobre a detenção de Bang Si-hyuk.

As ações da HYBE registraram queda na bolsa logo após a divulgação do pedido de prisão, refletindo a preocupação do mercado com os possíveis impactos na governança corporativa da empresa.

Foto Destaque: Bang Si-hyuk, presidente da HYBE. Foto: Divulgação/HYBE