
Coreia do Norte e EUA dão sinais de possível retomada de diálogo, diz inteligência sul-coreana
Donald Trump e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, podem realizar uma reunião “a qualquer momento”, segundo uma avaliação do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS). A hipótese foi apresentada nesta terça-feira (1º) durante uma reunião fechada do comitê de inteligência da Assembleia Nacional sul-coreana.
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A agência identificou possíveis sinais de diálogo entre Washington e Pyongyang, embora ainda não tenha confirmado contatos concretos entre os dois países. Segundo parlamentares que participaram do encontro, a agência considera possível uma nova cúpula entre os líderes, enquanto Trump já manifestou publicamente o desejo de voltar a se reunir com Kim.

Trump demonstra interesse em novo encontro com Kim Jong-un
Trump afirmou recentemente que pretende voltar a se encontrar com Kim Jong-un ainda este ano. Apesar das declarações do presidente norte-americano, a Coreia do Norte ainda não apresentou uma resposta pública direta à proposta de uma nova reunião.
Os dois líderes já se encontraram três vezes durante o primeiro mandato de Trump, em 2018 e 2019. As reuniões tinham como objetivo avançar nas negociações sobre o programa nuclear norte-coreano, mas terminaram sem um acordo concreto sobre a desnuclearização do país.

A possibilidade de uma nova aproximação também ocorre após Washington reduzir os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. A decisão foi apresentada como uma forma de diminuir as tensões com Pyongyang, embora a Coreia do Norte tenha mantido críticas às atividades militares realizadas na região.
Coreia do Norte mantém críticas aos exercícios militares
Enquanto surgem sinais de uma possível retomada do diálogo, Pyongyang continua demonstrando oposição à presença militar dos Estados Unidos na Península Coreana. Exercícios navais envolvendo Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão, previstos para começar em 7 de setembro, provocaram uma reação negativa do governo norte-coreano.
O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte classificou as manobras como uma ameaça ao país e a outras nações da região. A postura mantém um cenário de tensão mesmo diante das especulações sobre uma possível reunião entre Trump e Kim.

Na segunda metade de agosto, Pyongyang lançou cerca de 10 misseis em direção ao Mar do Leste em represália aos exercícios militares realizados entre Seul e Washington. Kim Yo-jong afirmou, na época, que apesar da redução dos exercícios, a Coreia do Norte não tinha interesse nas decisões de Trump, no que se considera uma política hostil contra o país norte coreano.
Coreia do Sul acompanha possibilidade de diálogo
O possível encontro entre Trump e Kim também ocorre em meio aos esforços do presidente sul-coreano Lee Jae-myung para promover uma aproximação com a Coreia do Norte.
Segundo o NIS, a agência não estabeleceu contato com Pyongyang em relação à proposta de iniciar conversas para encerrar formalmente a Guerra da Coreia, que terminou com um armistício em 1953, sem um tratado de paz.
Caso uma nova cúpula entre Estados Unidos e Coreia do Norte avance, o encontro poderá recolocar as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano e a segurança da Península Coreana no centro da agenda internacional. Por enquanto, a possibilidade permanece dependente de novos sinais concretos de aproximação entre os dois governos.
Foto destaque: Encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un em 2019.
Divulgação: AFP/ Brendan Smialowski