Cinema/TV

Crise política da Lei Marcial coreana de 2024 virará filme 

O incidente político da Lei Marcial, que marcou as manchetes sul-coreanas em 3 dezembro de 2024, ganha um novo desdobramento. Ele agora será recontado através do cinema, com um título provisório: Lei Marcial 12.3. O filme é um longa-metragem de ficção baseado na tentativa falha do decreto do ex-presidente Yoon Suk Yeol.

O filme ficou a cargo da produtora IP Box Media 1, que divulgou, no último dia 25, a escalação final dos atores. Escrito e dirigido por Park Kyung-soo, o longa conta com Gong Hyung-jin, Lee Ga-ryeong e Lee Sang Hoon no elenco principal. De acordo com as informações divulgadas, as filmagens devem começar ainda no primeiro semestre do ano.

 Lei Marcial 12.3 reconstrói a noite de 3 de dezembro quando o então presidente Yoon, declara, por meio de um pronunciamento oficial televisionado, a Lei Marcial, acusando “forças comunistas norte-coreanas” de estarem prejudicando a democracia do país. A tentativa fracassada foi revogada 24h depois, após intensos protestos.

Logo após a declaração, parlamentares romperam barricadas e escalaram cercas para chegar ao Parlamento. A rápida mobilização de 190 parlamentares, incluindo membros do próprio partido de Yoon, conseguiu aprovar, por unanimidade, a revogação do decreto. Paralelamente à votação, o povo coreano se mobilizou nas ruas contra a medida do presidente.

No filme, Gong Hyeong-jin faz uma representação verossímil de Yoon Suk Yeol, ao interpretar o presidente Gye-yeong, um ex-procurador que busca ascensão política até chegar ao cargo mais alto de poder no país. Lee Ga-ryeong interpreta Geun-hee, a esposa do político e CEO. Já Lee Sang-hoon integra o elenco como Lee Young-hyun, veterano do ensino médio de Gye-yeong.

Lei Marcial e suas consequências

Ex-Presidente Yonn Suk Yeol durante seu discurso em 3 de dezembro de 2024 (Foto: Divulgação/Asiapacific)

Ao decretar a Lei Marcial sob a justificativa de ameaças ocultas da Coreia do Norte no território sul-coreano, Yoon Suk Yeol retira os direitos da população, como o de protestar, e coloca a imprensa sob tutela. De acordo com o Artigo 77 da Constituição do país, a medida só pode ser declarada pelo presidente quando há necessidade de enfrentar uma exigência militar ou manter a segurança e ordem pública por meio da mobilização das Forças Armadas, em tempos de guerra, conflito armado ou emergência nacional semelhante.

Com a revogação da medida, Yoon sofreu impeachment no Parlamento duas semanas após o ocorrido. Ele foi formalmente destituído da Presidência por decisão unânime do Tribunal Constitucional, em 4 de abril de 2025. Além disso, foi preso, julgado e condenado à prisão perpétua por insurreição, em 19 de fevereiro.

O filme promete ser um drama político de alta qualidade, que revive esse momento político recente da Coreia. O responsável pela fotografia é o premiado diretor de fotografia Jang A-ram. A produção marca o primeiro longa-metragem sobre a crise política, em meio a diversos documentários e outras obras já existentes.

Foto Destaque: povo coreano protestando nas ruas no dia 3 de dezembro de 2024 (Divulgação/emtempo)

Eduarda Vila Nova

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